A temporada chilena vai de junho a setembro, e nem todo mês é igual:
Mês
Como costuma ser
Junho
Começo. Pode haver pouca neve e nem todas as pistas abertas. Mais barato e vazio, mas é aposta.
Julho
O mês mais cheio do ano — coincide com as férias escolares do Brasil e do Chile. Neve boa, preços altos, filas grandes.
Agosto
Para muita gente é o melhor: neve consolidada e um pouco menos de gente que em julho.
Setembro
Dias mais longos e sol. Neve mais mole à tarde. Ótimo custo-benefício se você não é exigente com a qualidade da pista.
Dia da semana importa mais do que as pessoas imaginam. Terça, quarta e quinta são radicalmente mais tranquilas do que sábado. Se puder escolher, esquie no meio da semana e deixe o fim de semana para Santiago.
Qual centro escolher
Os três principais ficam no mesmo cordão de montanha, a leste de Santiago, e se sobe para todos pela mesma estrada.
Valle Nevado — 3.025 m
O mais alto e o mais internacional. Estrutura completa e hotéis na própria montanha. É onde a maior parte dos brasileiros se hospeda — o que também significa mais gente falando português e mais concorrência por reserva. Site oficial
El Colorado / Farellones — 2.430 m
O mais próximo de Santiago e o mais fácil para bate-volta. Farellones é o vilarejo na subida, com lojas de aluguel, restaurantes e atividades na neve para quem não vai esquiar. Bom para famílias e primeira vez. Site oficial
La Parva — 2.750 m
Perfil mais residencial e tranquilo, menos movimentado. Quem já esquia costuma gostar. Site oficial
Existem outros destinos de neve mais ao sul — Nevados de Chillán, Pucón e Villarrica — que combinam neve com termas e paisagem de vulcão. É outro tipo de viagem: menos pista, mais natureza.
Como chegar
De Santiago até Farellones são cerca de 35 km, mas não pense em quilômetros, pense em tempo e em curvas. A subida tem dezenas de curvas fechadas em zigue-zague — os famosos caracoles. Contando trânsito, controle e paradas, planeje de 1h30 a 3 horas em cada sentido.
As opções, honestamente
Opção
Vale a pena quando
Transfer / van com motorista
Quase sempre. Você não dirige no gelo, não se preocupa com correntes, e o motorista conhece o horário do sentido único. É a escolha padrão de quem vem pela primeira vez.
Carro alugado
Só se você já dirigiu na neve. Confirme por escrito com a locadora se o contrato permite subir à montanha e se inclui correntes.
Excursão fechada
Se você quer tudo resolvido: transporte, equipamento e aula num pacote só. Menos flexível, mas zero dor de cabeça.
Sentido único. Em dias de muito movimento, a estrada costuma operar em mão única: só sobe até certa hora da manhã, só desce a partir de certa hora da tarde. Isso significa que, se você perder a janela, fica preso lá em cima ou não consegue subir. Confirme o horário do dia antes de sair.
Correntes: a parte que pega todo mundo
Em dias de neve ou gelo, as correntes de pneu passam a ser obrigatórias e há controle na subida. Não é sugestão: sem correntes, você não passa.
Alugam-se correntes na própria subida, mas em dia cheio a fila é grande e o preço, oportunista.
Saber colocar é outra história. Colocar corrente pela primeira vez, no frio, com fila atrás de você, é uma das piores experiências possíveis. Se for dirigir, veja um vídeo antes e teste em casa.
Se você não quer nada disso: pegue transfer. É literalmente para isso que ele existe.
Quanto custa de verdade
O erro clássico é orçar só o passe de esqui. O dia completo tem, no mínimo, cinco linhas:
Item
Observação
Passe (lift ticket)
Varia por centro, por dia da semana e por antecedência. É a maior linha do orçamento. Comprar antecipado quase sempre sai mais barato.
Aluguel de equipamento
Esqui ou prancha, botas, bastões e capacete. Mais barato embaixo (Santiago ou Farellones) do que na própria pista.
Roupa
Casaco e calça impermeáveis também se alugam. Muita gente esquece dessa linha e acaba comprando na hora, caro.
Transporte
Transfer ida e volta, ou aluguel de carro + correntes + combustível.
Aula
Se é a primeira vez, não é opcional. Sem aula você passa o dia caindo e vai embora achando que não gostou de esquiar.
Comida na montanha
Cara, como em qualquer estação de esqui do mundo. Levar água e algo para comer ajuda no bolso e na altitude.
Não publicamos valores fechados porque eles mudam por dia, por centro e por antecedência — e preço errado na internet faz alguém subir a montanha com dinheiro a menos. Consulte o valor do dia no site oficial de cada centro, ou pergunte ao assistente.
Equipamento: alugar onde e por quê
Você tem três lugares para alugar, e a diferença é real:
Em Santiago, antes de subir. Costuma ser o mais barato e com mais estoque de tamanhos. Custa uma ida extra na véspera.
Em Farellones, na subida. O meio-termo, e a opção mais usada. É por isso que as lojas ali ficam lotadas de ônibus de brasileiros logo cedo — e é por isso que reservar antes muda o seu dia.
No próprio centro de esqui. Mais prático e mais caro. Bom se você chegou sem nada e não quer perder tempo.
O problema real: tamanho. A bota é a peça que decide se o seu dia vai ser bom ou um martírio. Em dia cheio, os tamanhos mais comuns acabam cedo — e "acabou o seu número" às 9h da manhã significa alugar uma bota que não serve e passar oito horas com dor. Reserve com tamanho e horário definidos. É o conselho mais útil deste guia inteiro.
O que levar
Óculos de sol ou máscara de esqui. Não é estética. A neve reflete o sol e queima a vista de verdade; sem proteção você termina o dia com os olhos ardendo.
Protetor solar, fator alto, no rosto e nas orelhas. A 3.000 m, com reflexo da neve, o sol é muito mais forte do que parece. Queimadura na neve é clássico.
Luvas impermeáveis — luva de lã molha em dez minutos e vira gelo na sua mão.
Meia alta de esqui, uma só, e grossa demais não: a bota é que aquece. Duas meias fazem doer.
Camadas. Segunda pele, uma camada intermediária e o casaco impermeável. Melhor três finas do que uma grossa.
Água e algo para comer. Ajuda contra a altitude e economiza.
Documento e cartão. E o número do seu seguro salvo no celular, não numa gaveta do hotel.
Bateria externa. Frio derruba bateria de celular rápido — e o celular é o seu mapa, sua reserva e seu contato de emergência.
Os sete erros da primeira vez
Subir no sábado de julho. É o dia mais cheio do ano mais cheio. Se puder, vá no meio da semana.
Não reservar equipamento. Chegar às 9h30 sem reserva num dia cheio é aceitar o que sobrou.
Achar que não precisa de aula. Um dia inteiro caindo não é esquiar: é se machucar devagar.
Ignorar a altitude. Dor de cabeça, enjoo e falta de ar são comuns e têm solução simples — está na página de segurança.
Dirigir na neve sem nunca ter dirigido na neve. Não é bravura, é risco real, e com precipício ao lado.
Não conferir o seguro. Muitos seguros de viagem excluem esportes de neve, salvo cobertura específica. Descobrir isso no hospital é tarde.
Orçar só o passe. Some transporte, equipamento, roupa, aula e comida antes de decidir o dia.
Ficou com dúvida?
O assistente responde em português a qualquer hora — inclusive às 23h40, que é quando a dúvida aparece de verdade. Falar agora →