A parte que quase ninguém lê antes de subir — e que é a única que realmente importa se algo der errado. Leia agora, leva cinco minutos.
Emergências no Chile
Ambulância (SAMU)131
Bombeiros132
Carabineros (polícia)133
Resgate na pistaPatrulha do próprio centro de esqui
Salve estes números no celular antes de subir. Lá em cima pode não haver sinal para procurar.
1. Altitude — o problema mais comum e o mais subestimado
Santiago está a cerca de 500 metros. Valle Nevado, a 3.025. Você sobe 2.500 metros em duas horas de carro, sem nenhuma adaptação. O corpo sente.
O que costuma acontecer
Dor de cabeça, enjoo, tontura, falta de ar ao caminhar, cansaço fora do normal e dificuldade para dormir. É frequente e, na maioria das vezes, passa. Não é sinal de que você está fora de forma: acontece com atleta e com sedentário.
O que ajuda
Beba água, bastante e o dia inteiro. O ar de montanha é seco e desidrata sem que você perceba.
Vá devagar na primeira hora. Chegou, respire, caminhe devagar, não corra para a fila do teleférico.
Evite álcool — inclusive o drink com vista que parece uma ótima ideia. Em altitude, o efeito é muito maior e piora tudo.
Coma leve. Refeição pesada em altitude cai mal.
Se piorar, desça. Descer algumas centenas de metros costuma resolver o que nenhum remédio resolve.
Procure ajuda médica imediatamente e desça se aparecer: confusão mental, dificuldade para andar em linha reta, falta de ar mesmo em repouso, tosse persistente, lábios ou unhas azulados, ou vômito que não para. Esses sinais são diferentes do mal-estar comum e precisam de atendimento — não espere para ver se melhora.
Se você tem problema cardíaco, respiratório, pressão alta, está grávida ou viaja com criança pequena ou pessoa idosa, converse com o seu médico antes da viagem. Esta página é informação geral de viagem, não orientação médica.
2. A estrada
A subida a Farellones é uma sequência longa de curvas fechadas em zigue-zague, com precipício em boa parte do trajeto. Em dia de neve ou gelo, é uma estrada exigente até para quem mora ali.
Correntes são obrigatórias quando as autoridades determinam, e há controle. Sem correntes você não passa.
Sentido único: em dias cheios a estrada só sobe pela manhã e só desce à tarde. Perder a janela significa ficar preso em cima.
Não desça no escuro se puder evitar. Gelo negro se forma no fim da tarde, e é invisível.
Enjoo nas curvas é normal, principalmente na descida e para crianças. Sente na frente, olhe para o horizonte, evite ler no celular.
Se nunca dirigiu na neve, contrate transfer. Não é frescura. É a decisão mais inteligente do orçamento inteiro.
3. Frio e sol
Risco
Como reconhecer
O que fazer
Hipotermia
Tremor intenso, dificuldade de falar, lentidão, sonolência
Entrar em local aquecido, trocar roupa molhada por seca, bebida quente sem álcool. Se houver confusão mental, procurar atendimento.
Extremidades congelando
Dedos, orelhas ou nariz dormentes, esbranquiçados ou muito doloridos
Aquecer gradualmente, sem esfregar e sem fonte de calor direta. Se a pele ficar dura ou perder a cor, procurar atendimento.
Queimadura solar
Rosto e orelhas vermelhos ao fim do dia
Protetor solar alto reaplicado durante o dia. A neve reflete o sol e a altitude aumenta a radiação.
Vista queimada
Olhos ardendo e lacrimejando à noite
Prevenção é a única solução: óculos escuros ou máscara de esqui o dia inteiro, inclusive nublado.
Roupa molhada é o inimigo. Algodão que molha não seca e rouba calor. Use camadas impermeáveis por fora e leve um par extra de luvas e meias.
4. Na pista
Capacete. Sempre, adulto ou criança. Custa pouco no aluguel e é o item que faz diferença.
Respeite a sinalização das pistas. Verde é iniciante, azul é intermediário, vermelho e preto são para quem sabe. Errar de pista é como pegar uma rodovia de mão contrária.
Quem vem de cima é responsável por quem está embaixo. Essa é a regra básica de convivência na montanha.
Fora de pista, não. Sem guia, sem equipamento e sem conhecer a montanha, é onde acontecem os acidentes graves.
Combine um ponto de encontro com o grupo antes de começar. Celular sem sinal ou sem bateria acontece o tempo todo.
Avise alguém que ficou embaixo sobre o seu plano do dia.
5. Seguro de viagem — leia antes de comprar
Muitos seguros de viagem excluem esportes de inverno, ou cobrem apenas com um adicional contratado. Esquiar sem essa cobertura significa que uma fratura na montanha pode virar uma conta pessoal alta, incluindo resgate.
Antes de comprar, confirme por escrito com a seguradora:
Se a apólice cobre esqui e snowboard em pista (e o que ela considera "fora de pista").
Se cobre resgate e transporte na montanha, não só o hospital.
Qual é o limite de cobertura médica e como funciona o reembolso no Chile.
O telefone de assistência 24h — salve no celular e deixe uma cópia com alguém no Brasil.
6. Se acontecer alguma coisa
Na pista: não mova o acidentado. Cruze dois esquis fincados na neve acima dele para sinalizar, e chame a patrulha do centro de esqui.
Ligue 131 para ambulância, ou os números do centro se estiver dentro dele.
Acione a assistência do seu seguro imediatamente — muitas apólices exigem contato antes do atendimento para garantir a cobertura.
Guarde tudo: relatórios, receitas e comprovantes. Sem papel não há reembolso.
Avise o hotel. Eles conhecem clínicas, tradutores e o caminho mais rápido para descer.
Dúvida específica?
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